A reforma tributária pode elevar significativamente o custo de software no Brasil. Entenda como IBS e CBS impactam tecnologia nacional e importada, e o que as empresas devem planejar desde já.

A Reforma Tributária tem gerado discussões em praticamente todos os setores da economia, e a tecnologia não fica de fora. Segundo a Resolução nº 14/2026 do Comitê Gestor do IBS, a alíquota-padrão conjunta de IBS e CBS deve ficar próxima de 28%. Embora ainda não seja definitiva, esse percentual já vem sendo usado como referência de planejamento por empresas do setor — e os números mostram um impacto que merece atenção.
O salto na carga tributária do software nacional
Atualmente, softwares desenvolvidos no Brasil recolhem PIS, COFINS e ISS, que juntos somam 5,65%. Com a reforma, essa carga pode saltar para cerca de 28%, um aumento de quase 400%.
O motivo principal está na estrutura de custos do setor: a mão de obra é o principal insumo do desenvolvimento de software, mas, diferentemente de outros custos, ela não gera créditos tributários no novo sistema. Isso significa que, mesmo com a lógica de não cumulatividade prevista na reforma, boa parte do custo das empresas de tecnologia continuará sendo tributada de forma direta, sem compensação proporcional.
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E o software importado?
O software importado também sofre impacto, embora proporcionalmente menor. Hoje, a tributação é de 11,25%; com a reforma, essa alíquota também migraria para 28%, representando um aumento de 151%.
Ainda assim, é um salto expressivo, que pode influenciar decisões de compra, licenciamento e até mesmo a escolha entre soluções nacionais e estrangeiras por parte das empresas contratantes.
Mais capital de giro será necessário
Um dos efeitos práticos mais diretos dessa mudança está no capital de giro das empresas de tecnologia. Hoje, cada R$ 100 em vendas líquidas exige R$ 111,25 para cobrir os tributos. Com a nova alíquota, esse valor sobe para R$ 128.
Essa diferença pode parecer pequena isoladamente, mas, multiplicada pelo volume de operações de uma empresa, representa uma pressão financeira significativa — especialmente para negócios que já trabalham com margens apertadas.
O que muda na prática para diferentes players do setor
O impacto da reforma não se limita a um único elo da cadeia de tecnologia:
Fabricantes de software podem precisar revisar modelos comerciais e renegociar contratos, buscando formas de absorver ou repassar parte do aumento de carga tributária.
Distribuidores e revendas terão de calcular margens com mais precisão, projeto a projeto, já que a rentabilidade pode variar conforme o tipo de solução comercializada.
CIOs e CISOs são chamados a antecipar esse impacto no planejamento orçamentário de TI, considerando tanto investimentos (CAPEX) quanto despesas operacionais (OPEX), de preferência antes da renovação de contratos vigentes.
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A tecnologia como parte da solução
Um ponto interessante levantado é que a própria tecnologia terá papel fundamental na adaptação a esse novo cenário. Sistemas fiscais e financeiros das empresas precisarão ser ajustados para acompanhar créditos, custos e margens com um nível de detalhamento maior do que o atual.
Na prática, isso pode antecipar modernizações que já eram necessárias em muitas empresas, transformando uma obrigação regulatória em oportunidade de melhorar processos internos de gestão financeira e fiscal.
Por que começar a se planejar agora
Mesmo com a alíquota ainda sujeita a ajustes, os sinais já são claros o suficiente para justificar um planejamento antecipado. Empresas de tecnologia — e também aquelas que contratam soluções de TI — se beneficiam de revisar contratos, simular cenários de custo e ajustar orçamentos antes que as novas regras entrem em vigor de forma definitiva.
Contar com suporte contábil especializado nesse momento é essencial para entender como a reforma se aplica à realidade específica de cada negócio e para tomar decisões financeiras com mais segurança diante desse novo cenário tributário.
Se a sua empresa atua no setor de tecnologia ou depende fortemente de soluções de TI, não espere a reforma entrar em vigor para agir. Fale com a Alfa e entenda, desde já, como se preparar para esse novo cenário tributário.
