Simples Nacional Híbrido: vale a pena optar por esse modelo a partir de 2027?

Simples Nacional Híbrido: vale a pena optar por esse modelo a partir de 2027?

A partir de 2027, empresas do Simples Nacional poderão escolher entre manter o modelo tradicional ou adotar o Simples Híbrido, recolhendo IBS e CBS separadamente. Entenda os impactos dessa decisão. 

A Reforma Tributária vai trazer, a partir de 2027, uma decisão que hoje simplesmente não existe para quem é optante do Simples Nacional: escolher entre manter todos os tributos unificados na guia única do DAS ou retirar o IBS e a CBS dessa guia e recolhê-los separadamente, seguindo as regras gerais do novo sistema tributário. É o chamado Simples Nacional Híbrido, previsto no artigo 41, parágrafo 3º, da Lei Complementar 214/2025.

Essa escolha não é algo que pode ser feito de qualquer forma ou a qualquer momento: ela precisa ser formalizada em março ou setembro, vale por um semestre inteiro, e não pode ser alterada no meio do período. Isso significa que a decisão exige planejamento — não dá para testar um modelo por um mês e voltar atrás caso não funcione como esperado.

Simples Nacional Híbrido

A diferença que pode pesar no bolso do cliente PJ

O ponto mais sensível dessa decisão está na forma como os créditos tributários são gerados para quem compra da empresa optante do Simples. No modelo tradicional, o crédito que um cliente pessoa jurídica pode aproveitar fica travado na alíquota reduzida do próprio Simples, que é significativamente menor do que a alíquota padrão do novo sistema, estimada em torno de 26,5%.

Já no modelo híbrido, como o IBS e a CBS são recolhidos separadamente pelas regras gerais, o crédito gerado para o cliente tende a ficar muito mais próximo dessa alíquota cheia. Na prática, isso pode representar uma diferença relevante no custo final da compra para empresas que atuam no mercado B2B, vendendo principalmente para outras pessoas jurídicas que vão aproveitar esse crédito em sua própria apuração tributária.

Sua empresa vende principalmente para outras pessoas jurídicas e você não sabe se o modelo híbrido faz sentido para o seu negócio? A Alfa analisa o perfil de faturamento e de clientes da sua empresa para indicar a opção mais vantajosa dentro do Simples Nacional. Fale com nossa equipe.

Quem opta pelo tradicional também abre mão de créditos sobre compras

Outro impacto importante, apontado pela reportagem, é que a empresa que decide permanecer no modelo tradicional não aproveita créditos sobre as próprias compras. Esse detalhe pesa de forma mais significativa para negócios que têm um volume relevante de insumos tributados em sua operação, já que esses créditos deixam de ser recuperados quando a empresa opta por manter tudo unificado no DAS.

Isso significa que a decisão entre os dois modelos não deve levar em conta apenas o perfil dos clientes da empresa, mas também sua estrutura de custos e o volume de compras tributadas envolvidas na operação do negócio.

Para quem compra: saber que o fornecedor é Simples não basta mais

O que chama atenção aqui é uma mudança de comportamento que vai se tornar necessária também do lado de quem compra. Até então, para uma empresa que compra de um fornecedor optante do Simples Nacional, bastava saber que se tratava de um fornecedor enquadrado nesse regime. A partir da criação do modelo híbrido, essa informação deixa de ser suficiente.

Leia também: Saiu do Simples Nacional e quer voltar? Veja como funciona o reenquadramento.

Será preciso saber especificamente qual dos dois modelos aquele fornecedor escolheu — tradicional ou híbrido — já que isso muda diretamente o valor do crédito tributário que pode ser aproveitado na compra. Fornecedores que atuam com o modelo híbrido tendem a gerar mais crédito para o comprador do que fornecedores que permanecem no modelo tradicional, o que pode até influenciar decisões de compra entre fornecedores concorrentes.

Uma decisão que precisa ser tomada com antecedência

Como a opção entre os dois modelos só pode ser formalizada em março ou setembro e vale por um semestre completo, empresas optantes do Simples Nacional não vão poder deixar essa análise para a última hora, uma vez que a Reforma Tributária entrar em vigor. Avaliar o perfil de clientes, o volume de insumos tributados na operação e o impacto de cada modelo na geração de crédito tributário são passos que precisam ser feitos com antecedência, preferencialmente com o acompanhamento de um contador que entenda profundamente as novas regras.

Escolher de forma apressada, ou simplesmente manter o modelo tradicional por comodidade, pode significar deixar de aproveitar uma vantagem competitiva relevante — especialmente para negócios com forte atuação no mercado B2B.

A criação do Simples Nacional Híbrido representa mais uma camada de complexidade trazida pela Reforma Tributária, mas também uma oportunidade real de ganho competitivo para quem souber avaliar corretamente o próprio perfil de negócio. A Alfa acompanha empresas optantes do Simples Nacional na análise dessa decisão, considerando perfil de clientes, estrutura de custos e prazos de opção previstos em lei. Fale com nossa equipe e prepare sua empresa para essa mudança com antecedência.

Simples Nacional Híbrido: vale a pena optar por esse modelo

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